As vidas negras importam

* Por Aline Kerber – Instituto Fidedigna

Temos vivenciado uma onda de homicídios e crimes violentos sem precedentes. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2017 revelam o aprofundamento de um problema crônico na segurança. 61.283 mortes violentas intencionais no Brasil foram acometidas em 2016. No Rio Grande do Sul, houve um incremento de 8,3% dos homicídios, foram 2.844 vítimas fatais. Porto Alegre ficou em 3º lugar no ranking nacional de assassinatos, entre as Capitais, com uma taxa de 61,3 por 100 mil habitantes, atrás somente de Belém e Aracajú. 

No ano passado, as 4.976 mortes de policiais brasileiros, em sua maioria fora do horário de serviço, e de civis decorrentes de intervenção policial denotam o tamanho e a complexidade dos desafios que se apresentam à consolidação da democracia e do Estado de Direito. Apesar do lamentável aumento de 27% das mortes decorrentes de intervenção policial no Brasil, o Rio Grande do Sul reduziu esse indicador em 35%. Não nos estranhemos, portanto, com o fato de unicamente 1/3 dos brasileiros confiarem nas polícias, a despeito de 2/3 da população gaúcha entrevistada considerarem os policiais destas plagas como os mais honestos.

Ora, devemos colocar a temática da abordagem e do uso da força policial como um tema central na agenda pública. A forma como a polícia se relaciona com a cidadania e vice-versa diz muito acerca do grau de confiança e legitimidade social do Estado. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública desvelam que, entre 2015 e 2016, 76% das pessoas mortas em intervenções das polícias eram homens negros, ao passo que 56% dos policiais vitimados fatalmente, do sexo masculino e também negros.

O Brasil tem 54% de negros em sua população, todavia, a cada 100 vítimas de homicídios 71 são negras. Entre as mulheres vítimas de homicídio e feminicídio, 65% delas são negras. Precisamos explicitar quem são as vítimas preferenciais da violência urbana no Brasil para avançarmos na segurança dos direitos. Lembrando Mandela: “ou a segurança é para todos ou não é para ninguém.” Mais Instinto de Vida para todos e todas!

Anúncios

Vincent Moon e Priscila Telmon apresentam: Híbridos, em Porto Alegre

Ministério da Cultura e Aliança Francesa de Porto Alegre apresentam:
Vincent Moon e Priscilla Telmon apresentam Híbridos, os Espíritos do Brasil, em
Porto Alegre. Composto de diferentes formatos, projeto apresenta poesia visual sobre o sagrado brasileiro.
No domingo, 10 de dezembro, a Aliança Francesa de Porto Alegre traz à capital gaúcha
o projeto Híbridos, Os Espíritos do Brasil – uma pesquisa poética e cinematográfica
sobre a espiritualidade brasileira, de Priscilla Telmon e Vincent Moon. O evento
acontece a partir das 18h, na Associação Cultural Vila Flores (Rua São Carlos, 753) com
entrada franca. Dirigido Telmon e Moon, e produzido pelos dois e pela brasileira
Fernanda Abreu, Híbridos é uma pesquisa etnográfica sobre a multiplicidade do
mundo das cerimônias sagradas brasileiras e também sobre a linguagem
cinematográfica e seu potencial poético. Composto de diferentes formatos, um
complementar ao outro, o projeto ambiciona questionar nossa relação com as imagens
nos dias de hoje.
Em Porto Alegre, os artistas visuais participam de Débats d’idées sobre o projeto e seu
processo com exibição de curtas, site e abertura para perguntas. Depois, apresentam
uma performance ao vivo site-specific, onde Vincent Moon edita um filme ao vivo
enquanto Priscilla Telmon faz improvisos musicais com voz e instrumentos, afetando a
plateia de diversas maneiras e provocando uma espécie de “ritual cinematográfico”.
A partir de uma pesquisa detalhada, foram registradas mais de 60 cerimônias
diferentes pelo país afora durante os últimos três anos. Desde os cultos afro-brasileiros
da Bahia às novas formas da Umbanda em Minas Gerais; dos rituais indígenas
ancestrais no Acre aos crescentes cultos evangélicos no Rio de Janeiro, Híbridos é a
maior coleção poética sobre a cultura espiritual brasileira.
Artes visuais ao vivo
A forma ao vivo de Híbridos é uma performance de edição espontânea de trechos dos
rituais registrados por Moon, com intervenções improvisadas por Priscilla com
instrumentos e voz. A cada evento, um filme, uma história, uma colaboração, uma
experiência diferente. A estreia deste formato, em maio de 2017, foi no
festival CPH:DOX em Copenhagen, e o resultado foi muito além das expectativas. De lá
pra cá, já aconteceram algumas sessões impressionantes, como no Festival de Música
Sacra no Marrocos, onde a performance aconteceu dentro da antiga medina de Fez
com a participação da irmandade Sufi Hamadcha. Desde então, já passou por Suécia,
Bélgica, Alemanha e França.
Vincent Moon
Fazendo parte da “nova geração de cineastas” segundo a Cinemateca Francesa,
nascido na era digital e da internet, Vincent Moon foi o principal diretor dos Concerts à
Emporter, do site La Blogothèque. O projeto online de filmes musicais de bandas como
Ministério da Cultura e Aliança Francesa de Porto Alegre apresentam:
R.E.M, Tom Jones e Arcade Fire, revolucionou o conceito de vídeo clipes e o jeito de
filmar música em todo o mundo. No Brasil, trabalhou com artistas como Gaby
Amarantos, Tom Zé, Elza Soares e Ney Matogrosso. Desde 2009, Moon se dedica a seu
selo nômade PetitesPlanètes. Percorrendo o mundo com sua câmera e seu
computador na mochila, faz filmes etnográficos experimentais de forma independente,
registrando cenas folclóricas, músicas sagradas e rituais religiosos disponibilizados na
internet pela licença Creative Commons.
Priscilla Telmon
Fotógrafa, escritora e cineasta, percorre o mundo em missões humanitárias e viagens
de aventura. Membro da Sociedade de Exploradores Franceses, se dedica a viagens
longas que combinam história e aventura. Sua paixão pela exploração e culturas
antigas rendem filmes, reportagens e livros. Por meio de palavras e fotografias, áudios
e filmes, Priscilla assina diversas reportagens sobre ecologia, os últimos nômades e
xamanismo. Publicou La Chevauchée des Steppes, (Editora Robert Laffont), e Carnets
de Steppes, sobre a sua travessia a cavalo durante sete meses do Cazaquistão ao Mar
de Aral. Publicou ainda Himalayas, (editora Actes Sud), e dirigiu o filme Voyage au
Tibet Interdit (Editora MK2), sobre a sua última expedição a pé e sozinha pelo Himalaia
durante seis meses.

Site do projeto: híbridos.cc

Híbridos, Os Espíritos do Brasil – uma pesquisa poética e cinematográfica sobre a
espiritualidade brasileira
Domingo, 10 de dezembro de 2017, a partir das 18h
Vila Flores – São Carlos, 752 – Porto Alegre
PROGRAMAÇÃO
18h às 19h30: apresentação do projeto trans-cinema e seu processo com exibição de curtas,
site e abertura para perguntas
20h30 às 21h45: performance de cinema ao vivo site-specific onde Vincent Moon edita um
filme ao vivo enquanto Priscilla Telmon faz improvisos musicais com voz e instrumentos, afetando a plateia de diversas maneiras e provocando uma espécie de ‘ritual cinematográfico’.
Evento realizado pela Aliança Francesa de Porto Alegre e pelo Ministério da Cultura (MinC) por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet), com patrocínio da Timac Agro e apoio do Vila Flores.

barra logos hibridos.jpg

A escola nos diz: não existem armas pela vida

* Por Aline Kerber, do Instituto Fidedigna

Hoje, a América Latina concentra 8% da população mundial e 38% dos homicídios. Por conta disso, 53 organizações da sociedade civil estão disseminando a Campanha Instinto de Vida com o objetivo de salvar 365 mil vidas em 10 anos na região. Os brasileiros pedem urgência nessa agenda, pois o país é líder em números desse crime no mundo – 60 mil vítimas por ano, e as pessoas sentem muito medo.

O Rio Grande do Sul foi pioneiro no lançamento da Campanha no Brasil. Cerca de 200 pessoas de 62 organizações estiveram presentes nessa atividade no final de agosto em Porto Alegre. 15 Prefeitos participaram da do evento, e os de Pelotas, Santa Maria, Novo Hamburgo e Cachoeirinha, além do Secretário Estadual de Segurança firmaram o compromisso para a redução dos assassinatos.

Paradoxalmente, há forças políticas sustentando a necessidade de revogação do Estatuto do Desarmamento em um contexto de ódio e em que as armas são responsáveis por 72% dos homicídios ocorridos no território nacional, como a tragédia do dia 20 de outubro em uma escola em Goiânia, em que foram mortos 2 jovens dentro de uma sala de aula e feridos outros 4 – sem arma de fogo o potencial de lesividade teria sido outro. Aumentar a circulação desse instrumento significa incrementar os crimes violentos que atingem e aterrorizam todas as classes e espaços sociais, em especial, violência contra a mulher e assaltos.

No caso da escola, tanto as públicas quanto as privadas necessitam investir em políticas de prevenção à violência para que tragédias como o de Goiânia, Realengo, Columbine não se repitam e não sirvam de inspiração. É fundamental usar o conhecimento para resgatar a vida e os laços de solidariedade, como se almeja com as CIPAVEs no Estado – pois esse é o melhor instrumento contra a assombrosa letalidade dos nossos dias. A escola nos mostra que o problema é grave, persistente e pode piorar se nada for feito. Aprendamos de uma vez. Chega de velarmos os nossos jovens!

* Texto originalmente publicado em Zero Hora

Espaços para a resistência da ciência no Brasil

Os momentos de retrocesso no Brasil estão levando de marcha à ré também a ciência. O pouco de incentivo à pesquisa é crescente e só vê um futuro ainda mais nebuloso. Acreditamos que aproximar esse debate da sociedade é mais fundamental do que nunca, no cenário de medidas como a redução de incentivo público ao ensino superior e as mudanças propostas em currículos escolares, que buscam diminuir ainda mais a capacidade reflexiva dos estudantes. Esse cenário afeta, sem a menor dúvida, o futuro das pesquisas em todas as áreas.

É neste momento que espaços e iniciativas como o Vila Flores são atores essenciais. Aqui, a Apoena Socioambiental e a Ecdise são algumas das empresas que pensam e incentivam a ciência, levando-a para a sociedade de forma didática e ampla. No último setembro as iniciativas realizaram o evento Vila ConsCiência, que reuniu atividades e debates de áreas relevantes para a qualidade de vida, contribuindo com alternativas sustentáveis para a preservação do ambiente.

Trazer o debate para o Vila é importante para desmistificar a glamourização da ciência, aproximando os conceitos à rotina das pessoas. Atualmente, a dificuldade em ampliar o interesse na ciência reside em sua distância da vida cotidiana, se restringindo, basicamente, ao meio acadêmico.

Para esse primeiro evento, por exemplo, optou-se por assuntos variados e próximos ao momento que vivemos. Foram de oficinas que tratam de temas voltados para a economia a questões de nutrição e engenharia de alimentos, ciências naturais e educação ambiental. Tratou-se de trazer perspectivas que pautam harmonia e equilíbrio em detrimento da competitividade. São temas que se relacionam com melhorias nas prática cotidianas como a questão de pensar a nossa relação com o econômico, alimentação, convivência com os animais e futuro da ciência.

 

reciclo

Aula de compostagem urbana com a Re-ciclo, também residentes do Vila

Uma das pauta do I Vila ConsCiência também foi o debate sobre a extinção da Fundação Zoobotânica. Diante da desvalorização por parte do poder público em relação ao trabalho  de geração de conhecimento, pesquisa e extensão, é urgente discutir a manutenção de  espaços educativos públicos, que garantem o acesso de toda a sociedade e, assim, a construção de um mundo mais justo e igualitário. Enquanto isso, espaços de cultura e educação como o Vila têm o dever de socializar conhecimento e mobilizar a comunidade para momentos de lazer que vão além do entretenimento.

Consideramos que todo o conhecimento tem a possibilidade de ser debatido de forma dinâmica e lúdica, desde que se tenha interesse e predisposição para se investir em metodologias inclusivas. Todo e qualquer conhecimento só faz sentido quando ele passa a ter sentido para a sociedade.

rodadeconversageleias

*Por Apoena Socioambiental e Sopro Conteúdo Digital

Cultura Geek e a diversidade no Vila Flores

Depois do sucesso do Nerdval, recebemos pela primeira vez a OktoberNerdFest. A celebração da cultura geek tem tudo a ver com o Vila, porque traz à tona o diálogo da diversidade. A festa cria mais um espaço para a troca e consolidação da cultura nerd em Porto Alegre. Mas, diferente dos demais festivais ao redor do Brasil e do mundo, ele é organizado pela própria comunidade. Esse fato amplia também a defesa da diversidade de público.

Um dos organizadores do evento, o Joel, do MateHackers, lembra que esse é um tema frequentemente abordado no universo nerd. StarTrek Enterprise, por exemplo, representou um marco histórico ao ser a primeira série de televisão a dar espaço a diferentes culturas em papéis importantes. Assim foi com a oficial de comunicação negra Nyota Uhura e com o personagem Sulu, descendente de asiáticos, que assumia o comandante da nave. Isso ainda na década de 60, em que a sociedade americana discutia os direitos civis.

“StarTrek é a celebração da diversidade. Tem um espaço claro para isso, de participação, visibilidade e tolerância ao diferente. A mesma coisa acontece com outros universos, como X-men, que no fundo discute racismo e a perseguição de minorias”, conta Joel.

Na OktoberNerdFest não existem julgamentos, ninguém é considerado pelas coisas que gosta ou veste. E não existe limite de idade. Durante o Nerdval, por exemplo, a liberdade estava a olhos vistos, nas pessoas vindo ao Vila vestidos como queriam. Além disso, o público variava de crianças a idosos, todos interessados em expressar sua visão de mundo, seja através de cosplay ou da sua forma.

O Joel, por exemplo, se reconhece no grupo de pessoas que se identifica com os valores transmitidos nos quadrinhos, mangás, seriados, filmes e animes. E é esse o tipo de público que a OktoberNerdFest pretende alcançar: pessoas que, através das ações praticadas por personagens, são capazes de assumir riscos, tomar uma decisão e lutar por aquilo. Enfim, pessoas que acreditam que a sua ação é capaz de transformar o mundo.

(Fotos do Nerdval: Ana Skavinski)

OktoberNerdFest mistura games, simuladores e cerveja

O OktoberNerdFest acontece no dia 14 de outubro e reúne o universo geek, misturando cerveja, games, simuladores e diversas atrações. A iniciativa é promovida pelos residentes MateHackers, um hackerspace formado por um grupo de entusiastas por tecnologia.

As atrações do evento são para encantar o público, especialmente os gamers. Serão disponibilizados videogames e máquinas arcade, que prometem resgatar a nostalgia de jogar com gráficos pixelizados. Além disso, foram convidados 5 desenvolvedores gaúchos para mostrar os jogos em que estão trabalhando. O evento ainda fechou uma parceria com a RedBull, que vai disponibilizar um simulador de carros de corrida.

A festa também será animada ao som de músicas de anime, J-Rock e Kpop, com show da banda SetFly e DJ Appel. Cosplay e Cospobre também são muito bem-vindos, inclusive o público que comparecer fantasiado paga meia-entrada e ainda ganha um brinde. Diversas bancas foram convidadas para expor e vender suas raridades. Vai ter até uma tatuadora rabiscando no Vila.

E como toda tradicional festa alemã, o OktoberNerdFest não vai deixar o público com sede. Serão 12 tipos diferentes de cerveja artesanal. Para comida, já estão confirmados foodtrucks, em especial os de pizza (que qualquer nerd não deixaria de comer).

Informações OktoberNertFest

O que: OktoberNerdFestival
Quando: 14 de outubro, das 12h às 22h
Onde: Vila Flores, Rua Hoffman, 459
Quanto: R$ 15 inteira, meia para cosplay
Ingressos em: https://goo.gl/oTBMZv

 

Vila Flores Porto Alegre

Um teto para a cultura de Porto Alegre

O Vila Flores é um espaço de diversidade, que acolhe iniciativas e ideias de todas as áreas, do teatro à tecnologia. Mas um propósito comum nos une: a valorização da arte e da cultura.

Os projetos criados pelo coletivo do Vila pretendem não somente trazer isso como pauta, mas prever resultados que agreguem ao fomento e à sustentabilidade dos artistas e dos agentes culturais de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul.

A ideia é criar eventos e propostas que ajudem a manter de pé ou viabilizem novos espaços e sonhos. Nossa mobilização mais recente pretende arrecadar fundos para a reforma do telhado do Galpão, um espaço vileiro voltado para exposições, apresentações e demais manifestações artísticas. É o caso do Arraial, realizado em junho deste ano. Em outubro, acontece também o Baita Teto, com o mesmo objetivo.

A ideia do evento apareceu da oportunidade de conciliar interesses de vileiros e simpatizantes desse nosso propósito. O Baita Teto vai existir graças a um diálogo produtivo com a banda Ultramen, que optou por utilizar o espaço do Vila para gravar seu cypher.

Banda Ultramen

Foto: Ricardo Lage

Como contrapartida, a Ultramen irá realizar um show, cujos valores de ingressos serão revertidos para a reforma do telhado. O Slam Peleia, o DJ Piá e empreendedores da gastronomia também estarão presentes para se somarem à causa.

Após a reforma, prevista para janeiro e fevereiro de 2018, o Vila espera poder oferecer a Porto Alegre um local de resistência da cultura e da arte. Em tempos de cortes de recursos e posicionamentos contrários à liberdade de expressão, acreditamos que o caminho são as ações micro, impulsionadas pelos interessados em construir uma cidade mais humana e artística.

Serviço:

BAITA TETO

Domingo, dia 29 de outubro, das 16h às 22h
Vila Flores – entrada pela Rua Hoffmann, 459. Bairro Floresta. POA/RS.
Ingressos: R$ 15,00 (antecipados pela internet) e R$ 20,00 (na hora).
Venda antecipada: clique aqui

Confirme presença do evento do Facebook

Mais informações:

vilaflorescultural@gmail.com | 51 3265-1600

 

* Por Luana Fuentefria – Sopro Conteúdo Digital

Condominio Cultural São Paulo

Gestão de Espaços Culturais Colaborativos

Em julho uma das gestoras culturais do Vila, a Antonia, recebeu o convite das gestoras do Condomínio Cultural – o Condô, um espaço Cultural Colaborativo de Sampa – para fazer uma participação no curso de Gestão de Espaços Colaborativos no Centro de Formação e Pesquisa do SESC SP. Aqui ela conta um pouco das trocas que rolaram por lá.

Gestão de Espaços Culturais Colaborativos no Condomínio Cultural de São Paulo

* Por Antonia Wallig

A gestão de um espaço independente é um desafio constante no cenário da gestão cultural e envolve pessoas, equipamentos, programação, comunicação e o próprio espaço físico, sua manutenção e memória. Por isso, a ideia das gestoras do Condô, Jonaya e Géssica, para o curso era compartilhar as experiências e processos do Condô e do Vila Flores com pessoas que já trabalham em espaços colaborativos, ou que estão pensando em ativar um!

O intuito foi revelar algumas experimentações no campo da colaboração cultural, perspectivas de inovação em gestão e sustentabilidade, que aprendemos no dia a dia e na constante construção, desconstrução e reinvenção de nossas práticas. As duas chamam isso de “Gestão Criativa do Caos” e eu me  identifiquei muito com este “conceito” de gestão.  

20170712_165139

Foi demais conhecer o “Condô”,  que  é praticamente o primo paulista do Vila Flores – ou a prima, como escolhemos dizer,  já que tanto lá quanto aqui o núcleo gestor é composto em sua maioria por mulheres. O condomínio ocupa um antigo prédio na Vila Anglo Brasileira, onde também já funcionou uma escola e um hospital até o ano de 1995.

Como funciona a gestão do Condô?

O Condô funciona como uma associação de artistas e pessoas interessadas em discutir formas e potencialidades de convivência e está formalizada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP e credenciada como Ponto de Cultura. A ideia da criação do Condomínio Cultural surgiu no final de 2010, por pessoas interessadas em construir um espaço de liberdade onde fosse possível criar e experimentar. O lugar, depois de 15 anos de abandono, passou a ser transformado por meio da ocupação de diversos grupos e artistas, e desde então já passou por diferentes formas de organização.

Assim como o Vila Flores, o Condô é um espaço de convivência e experimentação e carregado de muita história em suas paredes.

Foram quatro dias de curso, nos reconhecendo em nossa práticas e processos, entre as gestoras e com os participantes, que também estão envolvidos em  projetos e espaços muito legais! Uma parte do curso foi mais  expositiva, em que falamos sobre os processos de constituição, gestão e comunicação do Condomínio e do Vila,  a outra foram exercícios dinâmicos e bem práticos  de autogestão financeira, autogestão de projetos e comunicação, que geraram ótima discussões.

Condominio Cultural São Paulo

Foto: Condomínio Cultural

No último dia, o grupo todo foi conhecer o espaço do Condô e fizemos uma caminhada pela Vila Anglo, bairro onde está localizado e que tem recebido muitas intervenções artísticas da comunidade, provocando a transformação da região pela convivência.

Durante os dias de curso e de partilha de experiências refleti sobre diversas coisas,  como o desafio de se fazer gestão quando se tem uma natureza artística e criativa. Como ter margem para criar novos projetos quando administrar o espaço e suas atividades toma um tempo considerável do dia a dia?

Entender com clareza a diferença entre fazer a gestão do espaço e a gestão de um projeto específico e também entre gestão de projeto e a produção de uma ação ou evento é fundamental, mas o principal é ter bem definido quem está envolvido em cada uma das funções.

O fator diferencial e mais importante de cada espaço colaborativo são as pessoas. É o tecido das relações entre as pessoas,  seus saberes e fazeres que vai determinando a essência e o conceito do espaço e quais processos de colaboração se tornam ativos na prática. A arquitetura, tanto no Vila quanto no Condô, também se transforma conforme o uso e as relações do coletivo entre si e com o lugar, tanto nos espaços de trabalho quanto de exposição, apresentação e abertura ao público a arquitetura é moldada pelas pessoas.

A maneira como nos unimos em torno de interesses em comum e habilidades complementares e como isso reverbera no contexto da convivência, não só dentro do espaço, mas do entorno (rua, bairro, cidade) faz com que a possibilidade de colaboração se potencialize. Mas, a sensação é que tudo são ensaios, experimentações, erros e alguns acertos. O maior dos acertos é sempre manter a possibilidade de rever os processos.

Ouvindo os participantes do curso falando de seus espaços, deu para entender que é pela vocação das pessoas que a vocação do espaço vai se definindo e redefinindo e a partir disso é muito importante desenhar processos para o coletivo. Quando os processos são definidos coletivamente eles têm terreno mais fértil para tornarem-se processos colaborativos, mas isso depende muito do  engajamento das pessoas. Os processos não são colaborativos pois assim foi definido, a colaboração é um processo orgânico e depende de muito envolvimento.

Condominio Cultural São Paulo

Foto: Condomínio Cultural

Ficou clara também, ao longo das conversas, a importância de um núcleo gestor, que tenha autonomia para tomar decisões no dia a dia. Pode haver alternância deste núcleo, mas é importante que estas pessoas se entendam como articuladoras e “puxadoras de processos” e estejam sempre observando a necessidade de rever as definições que foram acordadas, pois espaços que propõem a colaboração são regados de mutabilidade e permeabilidade.

No Vila Flores hoje já são mais de 100 residentes (pessoas que têm seus espaços de trabalho), no Condô são aproximadamente 70 (entre fixos e flutuantes). Em ambos há reuniões de todos os “residentes” e há as reuniões do núcleo gestor (que nos dois espaços varia de 4 a 7 pessoas). Nos exercícios de autogestão da comunicação me dei conta da tarefa superdesafiadora deste núcleo gestor, que é fazer uma comunicação interna eficiente e atraente, que realmente traga em si a possibilidade de conectar as pessoas entre si e com o espaço.

Estas foram algumas das reflexões que trouxe de volta comigo. Esta troca foi muito enriquecedora, pois assim vamos alargando a noção de comunidade, que compartilha não só espaço físico, mas espaços de conhecimento, propósitos, ações pelo bem comum, fomento, experiências de gestão e processos colaborativos.

A continuidade disso depende de muito engajamento, convivência e também de afeto. A ideia é em breve fazer o curso de Gestão de Espaços Culturais Colaborativos em Porto Alegre e em outras cidades, pois quanto mais houver a possibilidade de troca de experiências, mais chances teremos de aprimorar a nossa capacidade de colaboração em nosso espaços de trabalho e criação e para além  deles.

 

Um agradecimento super especial às “primas do Condô”, Géssica e Jonaya e ao Sesc Sampa, lugar que tão bem que acolhe a formação e a pesquisa na área da cultura. Precisamos muito!

 

* Antonia Wallig – Núcleo Gestor da Associação Cultural Vila Flores (ACVF)

Lançamento da Instinto de Vida no Rio Grande do Sul

Queridas parceiras e queridos parceiros,

Escrevo para dividir com vocês algumas imagens e um resumo do dia de ontem, em que a Instinto de Vida deu um importante passo, com o lançamento no Rio Grande do Sul.

Foi muito bonito ver a nossa iniciativa encher o salão do Vila Flores, um complexo arquitetônico revitalizado no bairro Floresta, onde está a sede do Instituto Fidedigna. Na plateia, autoridades, acadêmicos, pessoas diretamente afetadas pela violência, guardas municipais, artistas locais.
O evento, conduzido por Aline Kerber (Fidedigna), começou com a apresentação da Instinto de Vida e a exibição do vídeo da campanha. Em seguida, assinaram a carta compromisso da iniciativa o secretário estadual de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Cezar Schirmer, a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, e o prefeito de Santa Maria, Jorge Pozzobom. Cachoerinha e Novo Hamburgo também firmaram o compromisso. Representantes de Canoas, Porto Alegre, Rio Grande, São Leopoldo, São Sebastião do Caí e Sapucaia também foram ao lançamento.
As assinaturas foram seguidas de um testemunho de Vitória Bernardes, que ficou tetraplégica depois de ser atingida por uma bala perdida e hoje integra a Desarma Brasil. Por fim, foi realizado um painel reunindo Carolina Ricardo (Sou da Paz), Eduardo Pazinato (Fidedigna), Ilona Szabó (Igarapé), o promotor Gilmar Bortolotto e o jornalista Renato Dornelles. Contamos ainda com uma bela instalação do “Faces da (in)diferença”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e uma homenagem, feita nos moldes do memorial desenvolvido pela Casa de las Estratégias, a Alex Casanova, integrante do Vila Flores assassinado no ano passado.

​​

Zero HoraJornal do ComércioDiário de Santa Maria e Correio do Povo estão entre os veículos locais que publicaram artigos de opinião/reportagens sobre o lançamento nos últimos dias.
Cremos que o modelo de ontem tem enorme potencial de ser replicado em outros estados e cidades e estamos amimados em pensar junto com as demais organizações os próximos lançamentos!
Gostaríamos de agradecer muitíssimo a todos que participaram e colaboraram para a realização do lançamento, especialmente ao Instituto Fidedigna, anfitrião do dia.
Dandara Tinoco 

Como fomentamos e praticamos o consumo consciente no Vila Flores?

Comprar menos e com qualidade são algumas das diretrizes do consumo consciente, prática que está na base da nossa rotina no Vila Flores. Faz parte do nosso dia a dia como consumidores, mas também como promotores da economia local e sustentável.

Entendemos que diferentes razões (entre elas a cultural) ainda impedem que esse comportamento seja parte da vida de todos. Por isso, nossa intenção é te ajudar a incorporá-lo ao te trazer um pouco da nossa experiência.

O que consideramos para consumir de forma mais consciente? E quais iniciativas aqui do Vila podem te ajudar a prever os impactos sociais, econômicos e ambientais na hora da compra?

Por que consumir menos e melhor?

Apenas 16% da população mundial é responsável por 78% do consumo total. É lixo demais para planeta de menos. A solução é comprar menos mesmo. Mas sempre que for preciso consumir, a melhor opção é adquirir produtos de mais qualidade. Em vez do que é descartável facilmente, é importante optar pelo que é durável.

Como consequência disso, acabamos pensando mais e levando para casa aquilo que realmente faz sentido e que nos desperta afeto. Somente esses dois motivos já são suficientes para termos certeza de que um objeto não vai ser substituído logo.

Claro que, às vezes, isso significa optar por uma compra um pouco mais cara. Mas ela será mais cara mesmo?

Ajuda bastante começar invertendo a lógica. A pergunta é “por que este produto é caro demais?” ou “por que ele é barato demais?”. Um produto não é um objeto isolado, mas uma cadeia. Tem um processo produtivo anterior e de descarte posterior, que não estão expressos na etiqueta.

O formato de produção da maioria das empresas se baseia numa equação pouco sustentável, em que os fatores ambientais e sociais não são levados em conta. É o caso da moda, que com a difusão do fast fashion acabou por transformar essa indústria na segunda maior indústria poluente da terra.

O que levamos em conta para consumir de forma mais consciente?

Alguns dos aspectos sociais, econômicos e ambientais que sempre levamos em consideração são:

  • Salários justos

Um mundo melhor passa, inevitavelmente, pelo fomento a uma cadeia produtiva justa. Sabemos que nossa abundância e qualidade de vida são reflexo do bem-estar de todas as camadas sociais.

No lugar de grades que nos separam, criamos pontes que nos permitem fazer parte de um ecossistema comum e generoso.

A Colibrii é uma das empresas do Vila Flores que pratica essa nossa crença. O negócio social cocria produtos com artesãs de comunidades de Porto Alegre, como Morro da Cruz, Rubem Berta e Partenon, sempre com materiais alternativos e reutilizados.

12002610_1646294365618523_1458601840545013885_o

Colibrii cocria produtos com artesãs de Porto Alegre.

A marca se preocupa em mostrar que existem pessoas por trás de tudo, e que o ato da compra tem um significado e um impacto. Além de salários, a justiça social se expressa no reconhecimento das histórias por trás dos que é produzido e da valorização da qualidade e da criatividade das artesãs.

  • Pequenos empreendedores

Ao comprar de pequenos produtores, incentivamos uma economia mais distribuída. Ao invés de contribuir com uma grande indústria e alimentar uma cadeia de baixos salários e pouca satisfação, você pode colaborar para que mais pessoas trabalhem com prazer e recebam bem por isso.

Para incentivar esse movimento, realizamos no Vila a conexão entre os residentes e eventos como o Simultaneidade, um projeto bienal para divulgar nossas empresas. Além disso, feiras em eventos como o Junção Makers também reúnem iniciativas pequenas e locais.

12246689_465099160342865_8469822455793487019_n

Solabici cria bicicletas que levam em conta as particularidades das pessoas.

A vantagem disso para o consumidor é ter acesso a um produto de qualidade e, muitas vezes, personalizado. Na Solabici, por exemplo, todos os quadros são construídos manualmente, o que possibilita a criação de uma bicicleta que leva em conta as particularidades da pessoa. Já adquirir uma cerâmica da Márcia Braga é dispor de um artefato que agrega história e afeto à casa de quem compra.

  • Ambientalmente sustentável

Praticamos a sustentabilidade ambiental não somente de Lixo Zero, política de reciclagem que adotamos. Mas também pensamos na base do nosso consumo.

Podemos economizar água e reciclar, mas de quem compramos e o quanto compramos são os principais impactos ambientais que podemos gerar no mundo.

Empresas vileiras como a Humanus e Colibrii reutilizam materiais como garrafas pet, capas de guarda-chuva e cintos de segurança para criar suas roupas e mochilas. No Estúdio Hybrido, a estilista Vanessa Berg confecciona roupas e acessórios com matérias-primas de alta qualidade produzidas por indústrias ambientalmente responsáveis, além de tecidos excedentes da indústria calçadista.

10342920_497727790328445_2464848177919192335_n

Humanus reutiliza materiais para peças ambientalmente sustentáveis.

  • Negócios locais

De onde vem o seu produto? Se ele percorre longos caminhos e gasta combustível, ele é pouco amigo do meio ambiente. E da sua saúde, já que, provavelmente, ele deve depender de grande quantidade de conservantes e agrotóxicos para durar.

Nas nossas feiras e eventos, além dos residentes do Vila, priorizamos a presença de fornecedores locais. A opção por cerveja artesanal, por exemplo, se trata de minimizar o impacto ambiental deixado pelas latinhas de alumínio, mas também pela distância percorrida pelo produto.

Além disso, acreditamos que a mudança ocorre a partir de ações locais. Comprar de empreendedores e produtores locais significa o fortalecimento de um ecossistema que se retroalimenta, trazendo benefício a todos inseridos nele.

Quais iniciativas vileiras podem te ajudar a consumir de forma mais consciente?

Colibrii

A Colibrii trabalha com artesãs de comunidades de Porto Alegre co-criando produtos com materiais alternativos e reutilizados. O propósito do negócio social é aproximar realidades diversas e, com isso, gerar mudanças. A marca se preocupa em mostrar que existem pessoas por trás de tudo, e que o ato da compra tem um significado e um impacto.

Estúdio Hybrido

Vanessa Berg é a estilista responsável pela produção de moda do Estúdio Hybrido. As roupas e acessórios criados pela artista são confeccionados a partir do conceito de Slow Fashion, com matérias-primas de alta qualidade e durabilidade, produzidas por indústrias locais, que têm em suas diretrizes o cuidado ambiental, ética e responsabilidade social, além de tecidos excedentes da indústria calçadista.

Humanus

A Humanus é uma marca que se inspira nas Artes e na Filosofia​ para provocar novos olhares​. Contrários ao ritmo de consumo frenético da moda tradicional, a marca busca um outro tempo de contemplação e relação com o que consumimos, com o chamado Slow fashion. Além disso, a Humanus trabalha de forma colaborativa com rede de parceiros, como centros culturais, museus, iniciativas socioambientais e cooperativas.

Márcia Braga

Arquiteta e artista visual, Márcia Braga cria produtos em cerâmica. No Ateliê no Pátio tem seu forno e equipamentos para desenvolver trabalhos tridimensionais em cerâmica (que já lhe renderam dois prêmios Açorianos – 2013 e 2015). Também que reúne grupos de trabalho para criar e desenvolver projetos colaborativos em arte urbana.

Re-ciclo

A Re-ciclo realiza a coleta dos resíduos orgânicos de cidadãos em três municípios: Porto Alegre, Tramandaí em Imbé. Através de uma assinatura mensal, o cidadão recebe um baldinho para armazenar os resíduos e, de bicicleta, a Re-ciclo realiza a coleta semanalmente, levando os resíduos para sua área de compostagem, onde esse material é transformado em adubo. No início de cada mês, o associado recebe um pacote de adubo ou uma mudinha, para resgatar a agricultura urbana, e um mimo surpresa sobre a temática da sustentabilidade.

Solabici

A Solabici fabrica bicicletas sob medida com inspiração retrô. Os quadros são construídos manualmente, possibilitando a escolha de componentes e acessórios de acordo com as particularidades de cada um. A proposta é criar bicicletas únicas com formas minimalistas, elegante e de alta qualidade, que permitam agregar acessórios para deixar a bike perfeita para o dia-a-dia.

“Imitar é congênito no homem.”

Gabriel Guimard iniciou suas atividades artísticas em 1984 em São Paulo. É ator, mímico, palhaço, pesquisador da comédia física, das artes para infância e diretor da Cia. Megamini, que se dedica a pesquisa de espetáculos para crianças. Atuou durante cinco anos na companhia francesa Philippe Genty, a qual viajou por mais de 40 países. Em 1995 funda a Cia. Megamini com a atriz Nora Prado. A Cia. criou os espetáculos: Dia de Festa, Muito Romântico, Lixo é um Luxo, Tem Gato na Tuba, a Modelo, Clássicos da Mímica e Viva o Paiaço entre outros. Mora em Porto Alegre desde 2016. No próximo dia 14 de agosto, em parceria com o ator e mímico Anildo Böes, iniciará um curso de mímica – teatro visual e pantomima,  na Cia. de Arte – CORPO CÊNICO.

 

Introdução a Mímica

A palavra mímica vem do grego mimesis, tendo uma importância fundamental na Poética de Aristóteles. Ele diz que o  (Poética, 1448 a, II, §13). Há na espécie humana a tendência natural para o imitar. Ele se utiliza da imitação para adquirir as primeiras noções sobre a vida. Esta imitação vai além da corporal. Passa pela imitação verbal, as atitudes e todo um compêndio de conhecimentos e saberes.

Pelo aspecto estético, da linguagem artística, a mímica confunde-se desde os primórdios da civilização grega com a Pantomima. A palavra pantomima vem do latim PANTOMIMUS. Pantomimo, “ator”, literalmente “aquele que imita tudo”, formada por PAN, “todos”, mais MIMOS, “imitador”, de MIMESTHAI, “imitar, arremedar”.

A “arte de imitar, arremedar” sempre esteve presente no arsenal de habilidades dos “fazedores de riso” de todos os tempos e culturas: menestréis, jesters, bobos da corte, bufões, zannis, palhaços, etc… A própria pré-formação do clown, que se dá início no final do século XVIII na Inglaterra, tem fortes influências das pantomimas inglesas e da grande tradição da pantomima francesa, que tem em Jean- Gaspard Deburau (1796-1846) seu grande baluarte na primeira metade do século XIX.

Enquanto codificação desta linguagem o primeiro grande nome será o francês Étienne Decroux (1898 -1991) considerado o “pai” da mímica moderna, criando o que ele chamou de “mímica corporal”. Entres seus grandes discípulos temos Marcel Marceau (1923-2007), responsável pela retomada da tradição da pantomima francesa do século XIX, e também responsável por difundir a pantomima pelos quatro cantos do planeta. Outro grande responsável por difundir a mímica corporal de Decroux, assim como a própria pantomima, foi o mímico e ator Jean Louis Barrault (1910-1994), protagonista de um dos maiores clássicos do cinema francês “ Les Enfants Du Paradis”, traduzido para o português como “Boulevard do Crime”, filme de Marcel Carnê (1906-1996), que aborda a vida do mímico Jean Gaspard Debureau. No meio de Decroux e Marceau, que tinham a mímica corporal e a pantomima como um fim, temos Jacques Lecoq (1921-1999) que cria, por assim dizer a terceira grande linha de mímica, o qual ele nomeia como “Teatro Gestual”, busca estética esta, que tem a mímica e a pantomima, como um meio de expressão do ator. Lecoq fundamenta seu estudo e método na prática com as máscaras neutra, larvária, expressiva, a commedia dell’arte, o bufão e o clown, sempre associadas a expressividade gestual e física, mas também verbal.

Clássicos da Mímica

São esquetes inspirados em temas clássicos da pantomima, porém recodificados e revisitados a partir de uma mistura de linguagens.

Data: 19 e 20 – Sábado e Domingo | Horário: às 16h

Local: Theatro do Abelardo

Ingresso:R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia-entrada).

Contato: Caixa do Elefante  (51) 9 9137-1990