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O Vila, a Universidade e a valorização da comunidade e dos múltiplos saberes

* Por Antonia e Aline, da ACVF, e Tetê Barachini, do OM-LAB UFRGS

Desde o início de suas atividades a Associação Cultural Vila Flores recebeu muitos grupos de diferentes universidades. Docentes, alunas e alunos de diversos cursos de graduação e pós-graduação visitaram o espaço e realizaram projetos, artigos e estudos sobre o ecossistema do Vila Flores e a sua relação com o entorno. Arquitetura, Design, Administração, Moda, Sociologia, Economia, Gestão de Eventos, Ciências da Tecnologia, Artes Visuais, Gestão Cultural, Educação, Geografia, História e Serviço Social são algumas das áreas do conhecimento que já passaram por aqui.

Em 2017 a Associação Cultural Vila Flores (ACVF) deu um passo importante neste sentido, assinando um termo de cooperação com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. O início deste relacionamento surgiu com a vinda do laboratório do grupo de pesquisa Objeto e Multimídia – CNPq-UFRGS (OM-LAB), coordenado pela professora e artista visual Tetê Barachini do Instituto de Artes-UFRGS. Em 2017, um Acordo de Colaboração entre a Associação Cultural Vila Flores e o Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul foi assinado, reafirmando entre os seus principais objetivos a possibilidade de desenvolvimento de programas de pesquisa e extensão conjuntos através de convênios e/ou contratos específicos.

Por meio desse acordo, o grupo de pesquisa OM-LAB formulou um plano de atividades a serem realizadas no espaço do Vila Flores, a fim de atender os artistas envolvidos no projeto de pesquisa Práticas Urbanas: poéticas de aproximação (4º Distrito) e, claro, fomentar desdobramentos para as atividades de ensino e de extensão universitária, através do Projeto VIA [Vila flores & Instituto de Artes], no qual foram previstas atividades em parceria entre a comunidade acadêmica artística e a comunidade dos residentes do Vila.

reunião aberta do Grupo de Pesquisa OM_LAB- Projeto VIA - 2017
Reunião aberta do grupo de pesquisa OM LAB – Projeto VIA

Entre as primeiras ações absorvidas por esta parceria está o projeto de Relatos de Chegada, coordenado por Márcia Braga (residente do Vila), Antônia Wallig e Aline Bueno, no qual são propostos encontros com almoços e relatos de artistas convidados, com o intuito de reunir os residentes do Vila Flores e a comunidade local, para compartilhar, entre outras coisas, experiências de viagens, residências artísticas.

Além disso, os artistas vinculados ao OM-LAB, vêm propondo a realização de uma série de aproximações poéticas no espaço urbano do 4º Distrito de Porto Alegre, através de diferentes estratégias de errâncias e de imersões temporárias no cotidiano, como, por exemplo, a realização de Residências Artísticas (VIA) no atual espaço do OM-LAB, no Vila Flores. Também é realizada a colaboração com as residências realizadas em parceria com a Plataforma Canibal da Colômbia e os artistas do Núcleo de Artes do Vila Flores. Todos os artistas-pesquisadores envolvidos nas residências produziram peças gráficas, que deverão participar de uma exposição em 2018.

O Projeto VIA também tem propiciado aos envolvidos reuniões de estudo abertas à comunidade local, aulas de graduação e de pós-graduação do Instituto de Artes no espaço do Vila Flores, realização de exposições, artigos e reflexões sobre o 4º Distrito em Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado do PPGAV-UFRGS.

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Cabe ressaltar a importância de programas, projetos e outras atividades de Extensão Universitária que possibilitam o necessário intercâmbio de conhecimentos entre a academia e outros setores da sociedade. Neste sentido, o Acordo de Cooperação entre o Vila Flores e o IA-UFRGS está em consonância com as diretrizes apontadas na Política Nacional de Extensão Universitária, elaborada pelo Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras (FORPROEX). São elas:

  • Interação Dialógica: não se trata mais de “estender à sociedade o conhecimento acumulado pela Universidade”, mas de produzir, em interação com a sociedade, um conhecimento novo.
  • Interdisciplinaridade e Interprofissionalidade: o suposto dessa diretriz é que a combinação de especialização e visão holísticas pode ser materializada pela interação de modelos, conceitos e metodologias oriundos de várias disciplinas e áreas do conhecimento.
  • Indissociabilidade Ensino-Pesquisa-Extensão: as ações de extensão adquirem maior efetividade se estiverem vinculadas ao processo de formação de pessoas (Ensino) e de geração de conhecimento (Pesquisa).
  • Impacto na Formação do Estudante: as atividades de Extensão Universitária constituem aportes decisivos à formação do estudante, seja pela ampliação do universo de referência que ensejam, seja pelo contato direto com as grandes questões contemporâneas que possibilitam.
  • Impacto de Transformação Social: essa diretriz reafirma a Extensão Universitária como o mecanismo por meio do qual se estabelece a inter-relação da Universidade com os outros setores da sociedade, com vistas a uma atuação transformadora, voltada para os interesses e necessidades da maioria da população e propiciadora do desenvolvimento social e regional, assim como para o aprimoramento das políticas públicas.

A Associação Cultural Vila Flores com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030 elencados pela ONU. Nesse caso, o ODS 4 busca assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. O Acordo de Cooperação procura contribuir especialmente com a meta 4.7: garantir que todos os alunos adquiram conhecimentos e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável, inclusive, entre outros, por meio da educação para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida sustentáveis, direitos humanos, igualdade de gênero, promoção de uma cultura de paz e não-violência, cidadania global, e valorização da diversidade cultural e da contribuição da cultura para o desenvolvimento sustentável.

É neste sentido que o  termo de cooperação entre ACVF e UFRGS se estende a qualquer área do conhecimento contemplada pela Universidade, o que possibilita que todo docente que tenha interesse em realizar projetos junto ao Vila Flores possa se utilizar deste mesmo protocolo para incluir suas propostas. Entendemos que é  nosso papel e maior desafio criar relações que sejam múltiplas e transversais, tanto entre diferentes áreas do conhecimento quanto no que diz respeito às diferentes esferas sociais. Acreditamos que propostas de  inovação social são muito mais relevantes para a sociedade quando se propõe a integrar diferentes ferramentas, metodologias, linguagens e visões.

Por isso, valorizar a relação com a Universidade também é valorizar a relação com a comunidade e com os múltiplos saberes que devem encontrar o seu ponto de confluência. O Vila Flores é um espaço no qual a multi e a transdisciplinaridade acontecem na prática e o papel da ACVF e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul  neste convênio é fomentar a possibilidade de troca de conhecimentos entre as diferentes áreas do saber no meio acadêmico e expandir essas trocas à comunidade não acadêmica.

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