Vincent Moon e Priscila Telmon apresentam: Híbridos, em Porto Alegre

Ministério da Cultura e Aliança Francesa de Porto Alegre apresentam:
Vincent Moon e Priscilla Telmon apresentam Híbridos, os Espíritos do Brasil, em
Porto Alegre. Composto de diferentes formatos, projeto apresenta poesia visual sobre o sagrado brasileiro.
No domingo, 10 de dezembro, a Aliança Francesa de Porto Alegre traz à capital gaúcha
o projeto Híbridos, Os Espíritos do Brasil – uma pesquisa poética e cinematográfica
sobre a espiritualidade brasileira, de Priscilla Telmon e Vincent Moon. O evento
acontece a partir das 18h, na Associação Cultural Vila Flores (Rua São Carlos, 753) com
entrada franca. Dirigido Telmon e Moon, e produzido pelos dois e pela brasileira
Fernanda Abreu, Híbridos é uma pesquisa etnográfica sobre a multiplicidade do
mundo das cerimônias sagradas brasileiras e também sobre a linguagem
cinematográfica e seu potencial poético. Composto de diferentes formatos, um
complementar ao outro, o projeto ambiciona questionar nossa relação com as imagens
nos dias de hoje.
Em Porto Alegre, os artistas visuais participam de Débats d’idées sobre o projeto e seu
processo com exibição de curtas, site e abertura para perguntas. Depois, apresentam
uma performance ao vivo site-specific, onde Vincent Moon edita um filme ao vivo
enquanto Priscilla Telmon faz improvisos musicais com voz e instrumentos, afetando a
plateia de diversas maneiras e provocando uma espécie de “ritual cinematográfico”.
A partir de uma pesquisa detalhada, foram registradas mais de 60 cerimônias
diferentes pelo país afora durante os últimos três anos. Desde os cultos afro-brasileiros
da Bahia às novas formas da Umbanda em Minas Gerais; dos rituais indígenas
ancestrais no Acre aos crescentes cultos evangélicos no Rio de Janeiro, Híbridos é a
maior coleção poética sobre a cultura espiritual brasileira.
Artes visuais ao vivo
A forma ao vivo de Híbridos é uma performance de edição espontânea de trechos dos
rituais registrados por Moon, com intervenções improvisadas por Priscilla com
instrumentos e voz. A cada evento, um filme, uma história, uma colaboração, uma
experiência diferente. A estreia deste formato, em maio de 2017, foi no
festival CPH:DOX em Copenhagen, e o resultado foi muito além das expectativas. De lá
pra cá, já aconteceram algumas sessões impressionantes, como no Festival de Música
Sacra no Marrocos, onde a performance aconteceu dentro da antiga medina de Fez
com a participação da irmandade Sufi Hamadcha. Desde então, já passou por Suécia,
Bélgica, Alemanha e França.
Vincent Moon
Fazendo parte da “nova geração de cineastas” segundo a Cinemateca Francesa,
nascido na era digital e da internet, Vincent Moon foi o principal diretor dos Concerts à
Emporter, do site La Blogothèque. O projeto online de filmes musicais de bandas como
Ministério da Cultura e Aliança Francesa de Porto Alegre apresentam:
R.E.M, Tom Jones e Arcade Fire, revolucionou o conceito de vídeo clipes e o jeito de
filmar música em todo o mundo. No Brasil, trabalhou com artistas como Gaby
Amarantos, Tom Zé, Elza Soares e Ney Matogrosso. Desde 2009, Moon se dedica a seu
selo nômade PetitesPlanètes. Percorrendo o mundo com sua câmera e seu
computador na mochila, faz filmes etnográficos experimentais de forma independente,
registrando cenas folclóricas, músicas sagradas e rituais religiosos disponibilizados na
internet pela licença Creative Commons.
Priscilla Telmon
Fotógrafa, escritora e cineasta, percorre o mundo em missões humanitárias e viagens
de aventura. Membro da Sociedade de Exploradores Franceses, se dedica a viagens
longas que combinam história e aventura. Sua paixão pela exploração e culturas
antigas rendem filmes, reportagens e livros. Por meio de palavras e fotografias, áudios
e filmes, Priscilla assina diversas reportagens sobre ecologia, os últimos nômades e
xamanismo. Publicou La Chevauchée des Steppes, (Editora Robert Laffont), e Carnets
de Steppes, sobre a sua travessia a cavalo durante sete meses do Cazaquistão ao Mar
de Aral. Publicou ainda Himalayas, (editora Actes Sud), e dirigiu o filme Voyage au
Tibet Interdit (Editora MK2), sobre a sua última expedição a pé e sozinha pelo Himalaia
durante seis meses.

Site do projeto: híbridos.cc

Híbridos, Os Espíritos do Brasil – uma pesquisa poética e cinematográfica sobre a
espiritualidade brasileira
Domingo, 10 de dezembro de 2017, a partir das 18h
Vila Flores – São Carlos, 752 – Porto Alegre
PROGRAMAÇÃO
18h às 19h30: apresentação do projeto trans-cinema e seu processo com exibição de curtas,
site e abertura para perguntas
20h30 às 21h45: performance de cinema ao vivo site-specific onde Vincent Moon edita um
filme ao vivo enquanto Priscilla Telmon faz improvisos musicais com voz e instrumentos, afetando a plateia de diversas maneiras e provocando uma espécie de ‘ritual cinematográfico’.
Evento realizado pela Aliança Francesa de Porto Alegre e pelo Ministério da Cultura (MinC) por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet), com patrocínio da Timac Agro e apoio do Vila Flores.

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A escola nos diz: não existem armas pela vida

* Por Aline Kerber, do Instituto Fidedigna

Hoje, a América Latina concentra 8% da população mundial e 38% dos homicídios. Por conta disso, 53 organizações da sociedade civil estão disseminando a Campanha Instinto de Vida com o objetivo de salvar 365 mil vidas em 10 anos na região. Os brasileiros pedem urgência nessa agenda, pois o país é líder em números desse crime no mundo – 60 mil vítimas por ano, e as pessoas sentem muito medo.

O Rio Grande do Sul foi pioneiro no lançamento da Campanha no Brasil. Cerca de 200 pessoas de 62 organizações estiveram presentes nessa atividade no final de agosto em Porto Alegre. 15 Prefeitos participaram da do evento, e os de Pelotas, Santa Maria, Novo Hamburgo e Cachoeirinha, além do Secretário Estadual de Segurança firmaram o compromisso para a redução dos assassinatos.

Paradoxalmente, há forças políticas sustentando a necessidade de revogação do Estatuto do Desarmamento em um contexto de ódio e em que as armas são responsáveis por 72% dos homicídios ocorridos no território nacional, como a tragédia do dia 20 de outubro em uma escola em Goiânia, em que foram mortos 2 jovens dentro de uma sala de aula e feridos outros 4 – sem arma de fogo o potencial de lesividade teria sido outro. Aumentar a circulação desse instrumento significa incrementar os crimes violentos que atingem e aterrorizam todas as classes e espaços sociais, em especial, violência contra a mulher e assaltos.

No caso da escola, tanto as públicas quanto as privadas necessitam investir em políticas de prevenção à violência para que tragédias como o de Goiânia, Realengo, Columbine não se repitam e não sirvam de inspiração. É fundamental usar o conhecimento para resgatar a vida e os laços de solidariedade, como se almeja com as CIPAVEs no Estado – pois esse é o melhor instrumento contra a assombrosa letalidade dos nossos dias. A escola nos mostra que o problema é grave, persistente e pode piorar se nada for feito. Aprendamos de uma vez. Chega de velarmos os nossos jovens!

* Texto originalmente publicado em Zero Hora

Espaços para a resistência da ciência no Brasil

Os momentos de retrocesso no Brasil estão levando de marcha à ré também a ciência. O pouco de incentivo à pesquisa é crescente e só vê um futuro ainda mais nebuloso. Acreditamos que aproximar esse debate da sociedade é mais fundamental do que nunca, no cenário de medidas como a redução de incentivo público ao ensino superior e as mudanças propostas em currículos escolares, que buscam diminuir ainda mais a capacidade reflexiva dos estudantes. Esse cenário afeta, sem a menor dúvida, o futuro das pesquisas em todas as áreas.

É neste momento que espaços e iniciativas como o Vila Flores são atores essenciais. Aqui, a Apoena Socioambiental e a Ecdise são algumas das empresas que pensam e incentivam a ciência, levando-a para a sociedade de forma didática e ampla. No último setembro as iniciativas realizaram o evento Vila ConsCiência, que reuniu atividades e debates de áreas relevantes para a qualidade de vida, contribuindo com alternativas sustentáveis para a preservação do ambiente.

Trazer o debate para o Vila é importante para desmistificar a glamourização da ciência, aproximando os conceitos à rotina das pessoas. Atualmente, a dificuldade em ampliar o interesse na ciência reside em sua distância da vida cotidiana, se restringindo, basicamente, ao meio acadêmico.

Para esse primeiro evento, por exemplo, optou-se por assuntos variados e próximos ao momento que vivemos. Foram de oficinas que tratam de temas voltados para a economia a questões de nutrição e engenharia de alimentos, ciências naturais e educação ambiental. Tratou-se de trazer perspectivas que pautam harmonia e equilíbrio em detrimento da competitividade. São temas que se relacionam com melhorias nas prática cotidianas como a questão de pensar a nossa relação com o econômico, alimentação, convivência com os animais e futuro da ciência.

 

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Aula de compostagem urbana com a Re-ciclo, também residentes do Vila

Uma das pauta do I Vila ConsCiência também foi o debate sobre a extinção da Fundação Zoobotânica. Diante da desvalorização por parte do poder público em relação ao trabalho  de geração de conhecimento, pesquisa e extensão, é urgente discutir a manutenção de  espaços educativos públicos, que garantem o acesso de toda a sociedade e, assim, a construção de um mundo mais justo e igualitário. Enquanto isso, espaços de cultura e educação como o Vila têm o dever de socializar conhecimento e mobilizar a comunidade para momentos de lazer que vão além do entretenimento.

Consideramos que todo o conhecimento tem a possibilidade de ser debatido de forma dinâmica e lúdica, desde que se tenha interesse e predisposição para se investir em metodologias inclusivas. Todo e qualquer conhecimento só faz sentido quando ele passa a ter sentido para a sociedade.

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*Por Apoena Socioambiental e Sopro Conteúdo Digital